Brasil

A Situação no Brasil até 22 de junho

O Brasil é agora um epicentro global da pandemia do COVID-19, com mais de 1.000 mortes diárias. A falta de resposta pelo presidente Bolsonaro à pandemia coloca o peso sobre os governos estaduais e locais para desacelerar a disseminação. No entanto, muitos estados agora estão reabrindo suas economias sem políticas de proteção para a saúde pública. Com a crescente mobilidade da população presentemente, muitos estados brasileiros apresentam condições favoráveis para a disseminação catastrófica do vírus.

Para o Brasil, as principais tendências de 26 de fevereiro a 22 de junho de 2020 são as seguintes:

  • O governo federal está fazendo muito pouco para combater a pandemia. Em muitos casos, o governo federal opõe ativamente às medidas de distanciamento para desacelerar a propagação do COVID-19. Assim, o governo federal está delegando o ônus da resposta e da contenção aos governos estaduais e locais.
  • Governos estaduais e locais agiram tardiamente, esperando em média mais de três semanas após o primeiro caso do COVID-19 ser identificado para implementar medidas de distanciamento. Uma vez implementadas, as medidas de distanciamento foram parciais e se tornaram menos eficazes ao longo do tempo.
  • O Brasil diminuiu a mobilidade populacional, mas não tanto quanto outros países latino-americanos, de acordo com dados de mobilidade do Google. Alguns estados estão reabrindo mais cedo do que sugerido por cientistas da saúde e a mobilidade aumentou.
  • Embora as tendências gerais acima estejam presentes em todos os estados, alguns estados tiveram um desempenho melhor em termos de medidas de políticas e mobilidade. Os melhores desempenhos não estão limitados aos estados mais ricos nem aos frequentemente considerados melhores governados.
  • Em vez do nível de desenvolvimento econômico ou governança passada, afiliações políticas ajudam a explicar quais estados estão fazendo um trabalho melhor. Os estados relativamente marginalizados do nordeste se saíram supreendentemente bem, assim como alguns estados do norte. Governadores de partidos de oposição lideram esses estados e impuseram medidas mais rigorosas do que as recomendadas pelo governo Bolsonaro.

Como os estados estão se saindo

Desempenho no nível estadual no Índice de Adoção de Políticas Públicas e medidas de mobilidade seguem esses padrões:

  • Os estados com melhor desempenho no Índice de Adoção de Políticas Públicas são Alagoas, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, e Rondônia. Esses estados implementaram mais medidas políticas do que outros estados e mantiveram ou expandiram suas medidas ao longo da pandemia.
  • O grupo de estados com as menores pontuações no Índice de Adoção de Políticas Públicas inclui Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, e Paraíba. Esses estados não implementaram medidas políticas estritas ou implementaram e depois relaxaram as medidas nas últimas semanas.
  • Os estados que mais reduziram a mobilidade populacional desde que o primeiro caso do COVID-19 foi documentado no Brasil em 26 de fevereiro foram Alagoas, Bahia, Ceará, Sergipe, e Piauí, se juntando ao Rio de Janeiro e Santa Catarina, de acordo com a medida de mobilidade do Google.
  • Os estados com a maior mobilidade populacional desde o diagnóstico do primeiro caso do COVID-19 são Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, e Rondônia.
  • Idealmente, os estados teriam bom desempenho em ambas categorias. Baseado no nossos dados, os estados com forte desempenho em política e mobilidade são Alagoas e Rio de Janeiro, seguidos por Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, e Sergipe.
  • Alguns estados mostram desempenho fraco na adoção de políticas e no declínio de mobilidade.  Os estados principais dessa categoria são: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, e Tocantins.

Futuramente, se os brasileiros não puderem confiar no governo Bolsonaro para combater a pandemia através de medidas políticas apoiadas cientificamente, será essencial que as autoridades estaduais e municipais fortaleçam medidas políticas, reduzam mobilidade, e, fundamentalmente, salvem vidas.

Public Policy Adoption Index in Brazil

Nosso índice está baseado num índice da Universidade de Oxford. Rastrejamos 10 políticas públicas para controlar a pandemia. As políticas incluem fechamento de escolas e negócios não essenciales, e ordens de ficar em casa, entre outras medidas. Ajustamos estas medidas a partir da data quando foram implementadas, e em quanto tempo estiveram em ação. A linha tracejada preta representa a média ponderada de todos os estados do Brasil.

    Mudança no índice de mobilidade, em porcentagem comparado com a mobilidade habitual

    Estimações próprias com base em dados do Google do 27 de Fevereiro ao 3 de Junho de 2020. Estes gráficos mostram a mudança em mobilidade poblacional em cada país, comparada com a mobilidade habitual nos mesmos períodos, identificada como eixo 0. Quedas na mobilidade podem levar a uma menor probabilidade de contágio comunitário. A linha tracejada preta representa a média ponderada de todos os estados do Brasil.

      Comparação do Índice de Adoção de Políticas Públicas e Índice de Redução na Mobilidade, estado por estado